Amando a Deus por aquilo que Ele é

John Piper - Uma Vida Voltada para Deus
Amando a Deus por Aquilo que Ele é

 

por John Piper
Uma das mais admiráveis verdades que descobri foi esta: Deus é mais glorificado em mim quando sou mais satisfeito nEle.

Este é o lema que direciona meu ministério como pastor. Afeta tudo o que eu faço.

Se eu como, bebo, prego, aconselho ou faço — em tudo isso, o meu alvo é glorificar a Deus pela maneira como o faço (1 Co 10.31). Isto significa que meu alvo é fazer tudo de modo que revele como a glória de Deus tem satisfeito os anelos de meu coração. Se a minha pregação denunciasse que Deus não tem satisfeito minhas necessidades, ela seria fraudulenta. Se Cristo não fosse a satisfação de meu coração, será que as pessoas creriam, quando eu proclamasse a mensagem dEle: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35)?

A glória do pão consiste em que ele satisfaz. A glória da água viva está no fato de que ela sacia a sede. Não honramos a água refrescante, auto-renovadora e pura que desce da fonte na montanha, quando lhe damos nossa contribuição por trazermos baldes de água de poços do vale. Honramos a fonte por sentirmos sede, ajoelharmo-nos e bebermos com gozo. Em seguida, dizemos: “Ahhhh!” (isto é adoração!) e prosseguimos nossa jornada com a força proveniente da fonte (isto é serviço). A fonte da montanha é mais glorificada quando mais nos satisfazemos com a sua água.

Tragicamente, muitos de nós fomos ensinados que o dever, e não o deleite, é a maneira de glorificarmos a Deus. Não aprendemos que o deleite em Deus é nosso dever! Satisfazer-se em Deus não é um acréscimo opcional ao verdadeiro dever cristão. É a exigência mais elementar de todas. “Agrada-te do Senhor” (Sl 37.4). Não é uma sugestão, é uma ordem, assim como o são: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 100.2) e: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).

A responsabilidade de um pastor é mostrar com clareza aos outros que o amor de Deus “é melhor do que a vida” (Sl 63.3). Se o amor de Deus é melhor do que a vida, é também melhor do que tudo o que a vida neste mundo oferece. Isto significa que a satisfação não está nos dons, e sim na glória de Deus — a glória do amor, do poder, da sabedoria, da santidade, da justiça, da bondade e da verdade de Deus.

Esta é a razão por que o salmista clamou: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.25-26). Nada na terra, nenhum dos dons de Deus, na criação — podia satisfazer o coração de Asafe. Somente Deus podia. Davi queria expressar isso quando disse ao Senhor: “Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl 16.2).

Davi e Asafe nos ensinam, por seu anelo centralizado em Deus, que os dons de Deus — como saúde, riqueza e prosperidade — não satisfazem. Somente Deus satisfaz. Seria presunção não agradecer a Deus pelos seus dons (“Não te esqueças de nem um só de seus benefícios” — Sl 103.2), mas seria uma atitude idólatra chamar de amor a Deus a alegria que obtemos de tais dons. Quando Davi disse ao Senhor: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11), ele estava afirmando que estar próximo de Deus é a única experiência todo-satisfatória do universo.

Não era pelos dons de Deus que Davi anelava como um amante profundamente apaixonado. “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.1-2). Davi queria experimentar uma revelação da glória e do poder de Deus: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água. Assim, eu te contemplo no santuário, para ver a tua força e a tua glória” (Sl 63.1-2). Somente Deus satisfará um coração como o de Davi, que era um homem segundo o coração de Deus. Fomos criados para sermos assim.

Isto é a essência do que significa amar a Deus — satisfazer-se nEle. NEle! Amar a Deus pode incluir obedecer a todos os seus mandamentos, pode incluir crer em toda a sua Palavra e agradecer-Lhe por todos os seus dons. Mas a essência de amar a Deus é desfrutar de tudo o que Ele é. Este desfrutar de Deus glorifica mais plenamente a dignidade dEle, em especial quando tudo ao redor de nossa alma está desmoronando.

Todos sabemos disso por intuito, bem como por meio das Escrituras. Sentimo-nos mais honrados pelo amor daqueles que nos servem por obrigação ou pelo deleite da comunhão? Minha esposa é mais honrada quando eu lhe digo: “Gastar tempo com você me torna feliz”. Minha felicidade é o eco da excelência dela. O mesmo é verdade em relação a Deus. Ele é mais glorificado quando nos satisfazemos mais nEle.

Nenhum de nós tem chegado à completa satisfação em Deus. Freqüentemente, sinto-me triste com o murmurar de meu coração sobre a perda de confortos mundanos, mas tenho provado que o Senhor é bom. Pela graça de Deus, conheço agora a fonte de gozo eterno; por isso, gosto muito de passar os dias atraindo as pessoas a este gozo, até que possam dizer comigo: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo” (Sl 27.4).

Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper.

Copyright: © Editora FIEL

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

CategoriasLouvor&Adoração

O Dízimo é válido nos dias de hoje?

O dízimo nos moldes que nós temos no Antigo Testamento não é mais aplicável nos nossos dias. No Novo Testamento nós temos as ofertas voluntárias para sustentar a obra de Deus.

A Epístola aos Hebreus, principalmente os capítulos 9 e 10, deixa bastante claro que todas as cerimônias do Antigo Testamento foram abolidas com a vinda de Cristo, pois elas apenas tipificavam Aquele que viria, eram sombras da realidade que é Cristo. Além dessa epístola, Paulo fala constantemente sobre a abolição das cerimônias do Antigo Testamento no Novo Testamento, como em Gl.4.8-11, Cl.2.8-23, etc. Assim, a questão é determinar se o dízimo fazia parte da lei cerimonial ou da lei moral. A lei moral é permanente (Mt.5.17-18) e a cerimonial, como eu disse acima, é transitória. Assim, dependendo de onde o dízimo se encaixa, ele é válido ou não para os dias de hoje. Quando analisamos o Antigo Testamento percebemos que o dízimo estava totalmente amarrado ao sistema sacrificial daquele tempo, e havia vários tipos de dízimo (Lv 27.32; Nm 18.21-28; Dt 12.6-17; 14.22-28; 26.12). Estando dessa forma ligado aos sacrifícios e ao sacerdócio veterotestamentário, o dízimo como era praticado no Antigo Testamento é impraticável nos dias de hoje. Assim, ele está incluso dentro da lei cerimonial e, dessa forma, não é mais aplicável no Novo Testamento.

Alguns usam a passagem de Mateus 23.23 para defender que o dízimo é válido atualmente. Mas é importante observar que, apesar do Novo Testamento começar sua narrativa com o nascimento de João Batista e de Jesus, a Nova Aliança só começou, de fato, quando Jesus morreu (Mt 26.28; 27.51; Cl 2.14; Hb 9.11-17). Assim, quando Jesus disse o que está escrito em Mt 23.23, eles ainda estavam no Antigo Testamento. Portanto, essa passagem não pode provar a validade do dízimo para o Novo Testamento.

Outros tentam defender a validade do dízimo com a passagem de Hebreus, capítulo 7. Porém, nessa passagem o autor da carta apenas mostra a superioridade de Cristo em relação ao sacerdócio do Antigo Testamento usando Melquisedeque como um tipo de Cristo, pois Arão (representando o sacerdócio veterotestamentário) pagou dízimos a Melquisedeque na pessoa de Abraão, mostrando sua inferioridade em relação à Melquisedeque. O objetivo da passagem não é falar sobre a validade ou não do dízimo para os dias de hoje, mas mostrar a superioridade do sacerdócio de Cristo.

Dito isso, é importante mencionar que, atualmente, muitos “cristãos” estão prontos para negar a validade do dízimo para os nossos dias, não porque querem dar mais, mas porque querem dar menos, ou até mesmo nada. Para esses eu digo que quem supostamente se converteu ao Senhor, mas não converteu o seu bolso, deve reavaliar sua conversão. O cristão reconhece que não apenas 10% do seu salário pertence ao Senhor, mas todos os seus bens. Assim, o verdadeiro cristão faz planejamentos financeiros para não gastar em coisas supérfluas, a fim de poder contribuir com o máximo possível para o Reino de Deus, voluntariamente. O verdadeiro cristão não busca viver uma vida de luxo, pois seu deus não é o dinheiro, e sim o Senhor, a quem Ele coloca em primeiro lugar.

Tomemos como exemplo a contribuição da igreja primitiva. A viúva no templo deu tudo o que tinha (Lc.21.1-4). Os primeiros cristãos vendiam propriedades e depositavam todo o valor aos pés dos apóstolos (At.4.34-37). Os pobres da Macedônia contribuíram acima de suas posses (II Co.8.1-3). Esse é o padrão que o cristão deve seguir.

Devemos também lembrar que os pastores que Deus designou para pastorearam o rebanho precisam de sustento, sendo responsabilidade da igreja provê-lo (1Co 9.3-14; ). Portanto, as ofertas voluntárias também são usadas para compor o salário do pastor, provendo os recursos materiais necessários para que ele continue anunciando o Evangelho.

Para aqueles irmãos que congregam em igrejas onde o dízimo é praticado (como também é o meu caso), tenho recomendado que continuem contribuindo com o dízimo, mas considerando-o em seus corações como uma oferta voluntária, e não se satisfazendo em contribuir apenas com a décima parte, mas com o máximo possível, como acontecia na igreja primitiva.
Por André Aloísio, colaborador do VoltemosAoEvangelho.com e autor do Teologia e Vida
CategoriasEvangelho

Reinicie sua vida de oração

 por Joe Thorn

 

Há pouco tempo, confessei a um amigo que frequentemente me sentia mais como um deísta que cristão. Ele sabia exatamente o que eu queria dizer. Eu estava tendo problemas com oração.

Um deísta não crê que Deus está envolvido ativamente no mundo, mas que criou o universo para funcionar sozinho e foi embora. Em outras palavras, Deus não se envolve com nosso mundo ou nossas vidas. Ele é essencialmente ausente. Em um mundo assim, a oração seria algo sem sentido, pois Deus não escutaria, muito menos interviria em nosso favor. Em contraste, o cristão crê que Deus é um Deus de providência; que ele ativamente governa todos os assuntos do mundo e está intimamente envolvido mesmo em detalhes de nossas vidas. A grama que cresce, a morte de pássaros, a prosperidade de um, e a pobreza de outro, quando e onde viveremos, e  o dia de nossa morte são assuntos que Deus está cuidadosamente supervisionando. Uma vez que Deus está ligado ao nosso mundo e às nossas vidas, simplesmente faz sentido que desejemos apelar a ele em oração.

De fato, Deus nos convida a termos comunhão com ele; falar com ele sobre nossos desejos e experiências – nossas necessidades e feridas. Ele nos chama a chamá-lo e ele responde. Deus age. E, ainda assim, a oração é muito frequentemente um dom maravilhoso que deixo passar despercebido. Então, quando digo que me sinto mais deísta que cristão, estou confessando que minha vida de oração é normalmente muito pequena, e nem sempre reflete a crença no Deus que está lá, que se importa e se envolve. Assim, enquanto passava muito tempo trabalhando minha prática de oração, cheguei a algumas conclusões.

Eu estava orando muito pouco.

Eu estava orando com pouca paixão.

Eu estava orando com muito pouco otimismo (essa é uma maneira legal de dizer que eu estava orando com pouca fé).

Assim, enquanto estive pensando sobre as implicações de minha teologia sobre oração, e procurando entendimento de como uma vida saudável de oração se pareceria, também comecei a criar um plano para reiniciar tudo. O objetivo, para simplificar, é desenvolver uma atitude e um espírito de oração mais constantes a cada dia. Aqui está como recomecei minha vida de oração. Pode ser útil para alguns de vocês por aí.

1. Defina oração corretamente.

Sim, a oração pode ser entendida simplesmente como conversar com Deus. Mas, o que muitos precisam é de uma perspectiva teológica robusta sobre a oração. Um dos meus tratamentos favoritos no assunto é a famosa definição de John Bunyan. Seu conceito de oração é claro e útil.

Oração é o derramar de modo sincero, consciente e afetuoso o coração ou alma diante de Deus, por meio de Cristo, no poder e ajuda do Espírito Santo, por aquelas coisas que Deus tem prometido ou de acordo com a Palavra, pelo bem da igreja, com submissão, em fé, à vontade de Deus.

Esta definição bíblica de oração merece uma considerável meditação. Melhor ainda – leia Bunyan neste assunto. Por que isto é importante? Quanto melhor você entender o que oração é, melhor se tornará sua vida de oração. Por exemplo, para a oração ser legítima, Bunyan diz que deve ser afetuosa. Isso caracteriza sua conversa com Deus, ou é ela seria mais uma recitação, uma leitura fria de uma lista de compras com suas necessidades? Não realizarei uma exegese dessa definição agora, mas dedique tempo pensando nas implicações. Você pede por coisas que Deus prometeu, de acordo com a Palavra? Você ora submetendo-se a si mesmo à sabedoria e caminhos de Deus? Você ora em fé – crendo? Definir claramente o que oração é nos ajuda a guiar e avaliar nossas orações.

2. Agende-se para um tempo maior de oração.

Orações casuais e espontâneas são algo bom, mas orações planejadas e formais também são. Separe um tempo do dia para estar a sós com Deus. No início da manhã, no fim da noite, na pausa do almoço – o que for. Dedique um tempo para acalmar-se e entrar em um período de comunhão real com Deus. Eu sei que alguns entendem que agendar orações parece algo artificial, mas esse tipo de pensamento também despreza um encontro marcado com um cônjuge. Marcar uma saída com sua esposa significa falta de intimidade? Espero que não. A verdade é que, sem ter um horário marcado, será bem mais difícil ter um tempo maior de oração.

3. Aprenda um método de oração

Reservar um tempo a mais com Deus é complicado para muitos, e sem um método para guiar, esses períodos são frequentemente roubados por assuntos urgentes, ansiosos para tomar nossa atenção. Mesmo voltar ao momento de oração pode ser difícil. Aqui está o modelo que sigo:

  • Salmo (um salmo diferente cada vez que oro): É útil pois atrai meu foco para o caráter e a obra de Deus, prepara minha mente e meu coração em uma direção em que posso funcionar bem durante o período.
  • Adoração: Adorar a Deus por quem ele é, o que ele tem feito. É focar sua glória. Os salmos são particularmente úteis aqui, e esse aspecto da oração depende bastante de termos uma teologia bem desenvolvida.
  • Confissão: Dedicar tempo considerando, confessando e crucificando o pecado.
  • Gratidão: Agradecer a Deus por sua provisão, cuidado, promessas, etc.
  • Súplica: Nossos pedidos a Deus por necessidades nossas e de outros.

4. Crie lembretes para incentivá-lo durante o dia

Lembretes são incentivos ou suportes que nos levam a orar durante o dia. Isso não é simplesmente adicionar outro ritual, mas chamar a si mesmo de volta a um padrão de mente em que você reconhece que Deus está presente com você, e que você está sempre dependente dele. Seja criativo e use a tecnologia como lembrete. Cole bilhetes no vidro do seu espelho, post-its na sua agenda, deixe uma mensagem de voz no trabalho, envie um e-mail para si mesmo, consiga que amigos prometam te ligar aleatoriamente para lembrar-lhe de orar, etc.

5. Aprimore-se na oração curta

A oração curta é um interação breve, espontânea e informal que você tem com Deus. Pode ser louvor, pedido ou confissão. Eu digo que a oração curta deve ser “aprimorada” porque ela não pode ser simplesmente a oração de um preguiçoso, em que Deus é tratado com menos interesse que a moça do drive-trhu. Para aprimorar-se na oração curta, não devemos apenas ter em mente a definição correta de oração (é claro que ainda se aplica aqui!), também temos de nos exercitar em “praticar a presença” de Deus. A não ser que aprendamos a caminhar todos os dias com a consciência de que Deus está conosco e de que somos dependentes deles, nunca dominaremos a arte da oração curta.

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Original aqui

CategoriasEvangelho

Idolatria nas reuniões dominicais 3

Por Bob Kauflin

Não podemos deixar de notar a quantidade de vezes em que Deus fala de idolatria em sua Palavra. Ele odeia quando seguimos, servimos ou somos emocionalmente atraídos por outros deuses, que, no fim das contas, não são realmente deuses. Ídolos nos escravizam (Sl 106.36), nos envergonham (Is 45.16) e, por fim, nos conformam às suas imagens (Sl 115.8).

Porém, a intenção de Deus é que sejamos conformados à imagem de Seu Filho (Rm 8.29). Como o salmista, devemos abominar os ídolos e aqueles que lhes prestam louvores (Sl 31.6). Muito frequentemente, no entanto, acabamos nós mesmos sendo os idólatras. Hoje, gostaria de compartilhar outros ídolos que têm grande força quando adoramos a Deus corporativamente. Ele se aplica particularmente aos músicos.

O Ídolo da Excelência Musical

Oferecer a Deus o nosso melhor tem precedente bíblico (Ex 23.19; Nm 18.29,30). Na cultura de hoje, esse “melhor” frequentemente é definido como uma música marcada por técnica, complexidade, ou mesmo, sofisticação. Assim, harmonias em quatro vozes superam melodias em uníssono, orquestras ganham do piano de armário, e bandas completas substituem o violonista solo. Nos tornamos mais preocupados em fazer o culto corporativa maior, melhor, e mais envolvente. Resistimos à ideia de alguém sem treinamento e estudo musicais extensivos liderando a adoração congregacional. Neste processo, perdemos de vista o que faz, em primeiro lugar, nossa oferta aceitável.

Reggie Kidd, em seu livro With One Voice, aponta com precisão o problema: “Em algumas igrejas, a busca por ‘excelência’ é um ídolo, quer essa ‘excelência’ seja definida pelos padrões da chamada cultura ‘erudita’ ou da cultura ‘pop’. Esse ‘excelentismo’ precisa ser substituído pela busca por semelhança com o Cristo crucificado e por isso somente. Por melhor que sejamos antes do retorno de Cristo, nunca seremoscompletamente bons. Sempre haverá um tenor desafinado, uma corda de violão quebrada, um órgão com som estourando, ou um hino mal escolhido. Mas, tudo bem. A cruz significa que está pago.” (p. 101-102)

Isso significa que não precisamos nos preocupar sobre como tocamos, se estamos no tom, ou que música usaremos? É claro que não. Deus ordena a excelência musical (Sl 33.3; 1Cr 15.22; 2Cr 30.21,22). Anos atrás, minha audição de piano para graduação me ensinou (dolorosamente) algo sobre o valor da habilidade e excelência musicais. Porém, no culto congregacional, excelência tem um propósito – focar a atenção das pessoas nos tremendos atos e atributos de Deus.

Na adoração corporativa, portanto, a excelência tem mais a ver com a edificação e encorajamento que simples padrões musicais. Procurar a excelência de maneira sábia significa crescer continuamente em meu talento, a fim de que eu não distraia aqueles a quem procuro servir. Significa que eu talvez toque menos notas, para abrir mais espaço para que as pessoas ouçam as palavras. Significa que posso ter de sacrificar minhas ideias de “excelência” musical para fazer a verdade mais acessível musicalmente à minha congregação. Significa, no fim, às vezes não tocar, de maneira que a congregação possa ouvir sua própria voz claramente, ressoando em louvor a Deus. Excelência musical, definida propriamente, é um alvo digno. Mas, como todos os ídolos, gera um deus terrível.

Resultados

Me refiro com esse termo à mentalidade que entende a adoração a Deus como um meio para alcançar um fim desejável, como mais pessoas no culto, evangelismo, ministério mútuo ou experiências individuais. “Adoração de resultados” talvez seja a base de comentários como esses: “Evitamos certos assuntos bíblicos porque as pessoas não gostam de ouvir sobre eles”, cultos mais animados fazem com que os visitantes voltem”, “não pareceu que Deus esteve conosco neste culto porque tudo que fizemos foi cantar, compartilhar a Ceia do Senhor e ouvir a Palavra pregada”, “temos como objetivo que todos recebam um ‘toque de Deus’ no domingo”.

Evidentemente, é certo querer que a igreja cresça, desejar ver pessoas salvas, prover oportunidades de mútua edificação, e esperar que as pessoas encontrem-se com o Deus vivo de maneiras evidentes, quando nos reunimos. Entretanto, queremos  todas essas coisas  a fim de que mais e mais pessoas sejam capazes de enxergar a grandeza e a glória de Jesus Cristo.

Em última análise, é uma falsa dicotomia perguntar se os cultos são para Deus ou para nós. Eles são para Deus em seu objetivo, eles são para nós em seus efeitos. Entretanto, quando estamos falando sobre propósito, não há dúvida. Tudo que fazemos, fazemos de forma que a glória de Deus possa ser vista, magnificada e desejada. Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31). Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai (Cl 3.17). Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas.A ele seja a glória para sempre! Amém (Rm 11.36).

John Piper afirmou sucintamente: “Missões existem porque não existe adoração” (Alegrem-se os Povos). Isso se aplica igualmente a tudo que fazemos. Ministério pessoal existe porque as pessoas não honram a Deus por Seu poder e compaixão. A igreja precisa crescer para que mais pessoas possam honrar e amar a Deus por sua misericórdia, graça e verdade. Desejamos que pessoas encontrem a presença ativa do Espírito de Deus de maneira que elas possam valorizá-lO acima de toda experiência, sentimento ou sensação. Queremos que todo cristão saiba que o amor inabalável de Deus, expresso na morte substitutiva de nosso Salvador, é melhor que a própria vida.

Portanto, a glória de Deus é o alvo de nossa adoração, e não apenas um meio para outra coisa. Em meio a uma cultura que glorifica nossas pobres realizações de maneiras inumeráveis, nos reunimos toda semana para proclamar os atos e a glória maravilhosos de Deus em seu valor supremo. Ele é “santo, santo, santo”. Não há ninguém, ou nada, como o Senhor. Se você é líder na casa de Deus, lembre-se de que, no fim das contas, nada bom pode vir de fixar os olhos das pessoas em algo além do próprio Salvador. O Cordeiro é Aquele que exaltaremos acima de tudo, por toda a eternidade. Nada mais justo que exaltemos a Ele acima de tudo agora.

Traduzido por Josaías Jr. | iPródigo |

CategoriasLouvor&Adoração

Idolatria nas reuniões dominicais 2

Por Bob Kauflin 

É útil lembrar que o mundo, o diabo e nossa carne se opõem ativamente ao nosso desejo de dar a Deus a glória que somente Ele merece. As verdadeiras guerras no louvor não são sobre estilos e formas de música ou práticas. Elas acontecem secretamente em nossos corações, quando ídolos tentam roubar nossa paixão de exaltar a Deus acima de tudo. Se não estamos ciente dessas guerras, teremos dificuldade em entender ou experimentar a adoração que honra a Deus, não importa o que você esteja fazendo exteriormente.

Falando de experiência, aqui estão mais alguns ídolos que podem nos tentar nos cultos de domingo.

Experiência

Ano passado, enquanto folheava uma revista cristã, notei que um anúncio de um novo CD de louvor mencionava a palavra “experiência” seis vezes. Nós todos amamos “experiências de adoração” com Deus. Experiências não são ruins. Mas o conceito de adoração como uma “experiência” é um pouco estranho à Escritura. Digo “um pouco” porque existem vezes em que adorar a Deus definitivamente é uma experiência! (2 Cr 5.11-14; At 4.31; 1 Co 14.23-25). Entretanto, o alvo da reunião como povo de Deus não é sentir alguma coisa, mas contemplar e relembrar alguma coisa. Essa “alguma coisa” é a Palavra, as obras, e a benignidade de Deus, especialmente quando Ele se revelou em Jesus Cristo (2 Co 4.6). Se eu procuro arrepios ou emoções intensas, Deus se torna simplesmente mais uma de numerosas opções que posso escolher buscar durante um culto. Isso não minimiza a importância de buscar encontros com o Deus vivo, caracterizados por profunda emoção, e de deleitar-se na presença de Deus (Sl 84.1,2; 1 Cr 16.11; Sl 16.11). Mas me torno ciente da proximidade de Deus ao descansar em Sua natureza, promessas e atos, não perseguindo uma situação emocional.

Liturgia

Formas e práticas são significantes quando nos encontramos como povo de Deus para adorá-lo. Tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14.40). Entretanto, Deus não expressou claramente em Sua Palavra com o que “ordem” realmente se parece. Quantas músicas cantamos e quando as cantamos? Que palavras devemos usar quando oramos? Quando e quão frequentemente  devemos celebrar a Ceia do Senhor? Por toda história, cristãos têm discutido e se dividido sobre essas questões, afirmando oferecer uma liturgia que é verdadeiramente bíblica. É claro, divisões de igrejas não são sempre erradas, uma vez que algumas das verdades e doutrinas bíblicas que mais prezamos foram purificadas pelo fogo do conflito. Entretanto, não existe um “perfeccionismo litúrgico” que devemos alcançar, que até fará nosso culto mais aceitável a Deus do que ele é em Jesus Cristo. O triste fruto dessa mentalidade idólatra são igrejas que têm forma de piedade, mas carecem de verdadeiro poder espiritual. Nosso objetivo é fazer, pela fé, o que magnifica a glória de Deus em Cristo de maneira mais efetiva e bíblica. Mas as liturgias devem servir-nos, não dominar-nos. Uma vez que Deus parece permitir alguma liberdade de forma, assim façamos também.

Conhecimento Bíblico

Eu hesito em incluir “conhecimento bíblico” como um ídolo potencial. A razão para ter feito isso é que podemos buscar erroneamente um conhecimento de doutrina que é distinto do conhecimento do próprio Deus. Devemos reconhecer essa possibilidade ou facilmente cairemos no erro dos fariseus, que tinham mais orgulho em sua “retidão” que em seu relacionamento com Deus. Nós, também, podemos ser mais impressionados com uma teologia precisa em nossas músicas que com o fato de que Deus nos mostrou misericórdia em Jesus Cristo.

Doutrina e teologia, quando humildemente estudadas e aplicadas, sempre nos levam a temer, amar e adorar mais a Deus, não menos. Por esse motivo, Jesus repreendeu os fariseus, por procurarem um conhecimento da Escritura que não os levou a isso. “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.” (João 5.39,40). O crescimento em nosso conhecimento e amor pela Palavra de Deus sempre deve produzir humildade e piedade correspondentes em nós. Quão trágico é que aqueles que defendem mais ardentemente certas formas de adorar a Deus frequentemente desprezam a humildade que Deus tanto estima (Is 66.2).

Ignorância Bíblica

Por outro lado, podemos exaltar nossa ignorância das Escrituras enquanto adoramos a Deus, afirmando que “palavras atrapalham a adoração”. Em algum momento futuro, planejo compartilhar sobre a primazia da Palavra de Deus em nossa adoração. Por enquanto, basta dizer que, quando não valorizamos intencionalmente a Palavra de Deus como influência controladora e substância primária de nossa adoração, outras autoridades correm para ocupar o lugar. Não somos mais espirituais, mais próximos a Deus, nem mais maduros, se pensamos que não precisamos de palavras para nos comunicar com Deus. Deus sempre dispôs sua Palavra no centro de nossa comunhão com Ele, seja por meio da música, oração ou pregação. Através da Palavra de Deus, nós conhecemos melhor quem Ele é, quem somos, e como nos relacionamos com Ele. (Ex 20; 1 Rs 8.9; Js 1.7,8; 2 Cr 31.2-4, 34.29-33; Sl 119; Sl 19.7-11; Mt 15.8; At 13.48,49; Cl 3.16; 1 Tm 4.13).

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo

CategoriasLouvor&Adoração

Idolatria nas reuniões dominicais

Por Bob Kauflin 

“Asssim estas nações temiam ao SENHOR e serviam as suas imagens de escultura” (2 Reis 17.41a)

Qual é nossa maior barreira para adorar a Deus? Apresentaríamos uma variedade de respostas potenciais.

“Nosso líder de adoração não é muito experiente”.

“Os cultos são muito planejados/espontâneos”.

“As músicas são muito complexas/simples”.

“A banda/orquestra/tecladista/guitarrista é ruim”.

“São muitas músicas novas/velhas”.

“Nossa igreja é muito grande/pequena”.

Ignorando por um momento que todas essas afirmações se referem ao contexto de reunião, elas revelam um profundo mal entendimento sobre as barreiras do verdadeiro louvor. Ao contrário do que alguns talvez pensem, nosso maior problema não se encontra fora de nós, mas dentro de nossos próprios corações. É o problema da idolatria.

A passagem de 2 Reis descreve uma situação acontecida quando Samaria foi repovoada pelo rei da Assíria. É uma situação que pode existir potencialmente em nossos cultos hoje. Podemos temer ao Senhor externamente, participando de tudo o que percebemos serem os elementos corretos do culto – cantar, contribuir, orar, ajoelhar, escutar a Palavra de Deus, etc. – e estar ativamente servindo a falsos deuses em nossos corações. Deus deixa claro em Êxodo 20 que ele não tolerará qualquer competição pela lealdade e afeições de nossos corações. “Não terás outros deuses diante de mim”. Isso descreve a idolatria sucintamente.

Quando alguém menciona idolatria, podemos imaginar alguém em Nova Guiné ajoelhando-se diante de estátuas de madeira ou metal, e pensar “Graças a Deus, eu não luto com ISTO”. Ídolos, entretanto, são bem mais difundidos, traiçoeiros e enganadores. Idolatria é atribuir valor, autoridade ou domínio supremo a qualquer outra coisa que não seja Deus.

Ingenuamente, pensamos que os ídolos podem nos garantir o que somente Deus pode dar. Eles nos tentam diariamente. Não é surpreendente, portanto, que mesmo minha filha de dez anos, Mckenzie, lide com ídolos. Um de seus ídolos principais é “não tomar banho”. Também conhecido como os ídolos do controle e do prazer. Hoje, ela confessou a mim e minha esposa que, pelos últimos três dias, ela estava apenas fingindo tomar banho. (Por alguma razão, muitas crianças de dez anos consideram o banho tão atraente quando arranhar um quadro negro por dez minutos). Depois de lidar com uma confissão cheia de lágrimas, e descobrir sua disciplina (não brincar com os amigos por três dias), falamos sobre seu coração. Expliquei a ela que não tomar banho era um ídolo para ela. Ela pensava que continuar suja lhe traria felicidade. Porém, isso a levou a enganar aqueles a quem ela mais ama e desonrar o Deus que a criou para Sua glória. E, definitivamente não lhe deu a felicidade prometida. No final das contas, ídolos nunca dão.

Tentei dar um título chocante para esses posts, a fim de nos alertar para a diferença entre um Deus “professado” e um deus “funcional”. Isto é, o Deus em quem afirmamos que cremos, e o deus que realmente governa nossos desejos e ações.

Como já disse, a idolatria pode estar ativa em meu coração mesmo se estou adorando externamente a Deus. Essa é uma ideia séria. Toda vez que penso que não posso adorar a Deus a não ser que “X” esteja presente, estou fazendo uma profunda declaração. Se “X” é algo além de Jesus Cristo e do Espírito Santo, passei a caminhar em território idólatra. Idolatria é sempre má, mas os ídolos que perseguimos não são coisas necessariamente más. Eles são maus para nós porque os valorizamos acima de Deus.

Páginas poderiam ser escritas sobre cada um dos ídolos potenciais que irei cobrir. Muitos, se não todos, tocam em áreas que podem e devem ser usadas com discernimento para servir ao povo de Deus quando nos reunimos para cantar em Seu louvor. Alguns deles são mais importantes que outros. Mas todos eles devem exaltar a Deus, não substituí-lo.

Música

Estilos musicais no culto congregacional provocaram certa agitação em anos recentes. Na verdade, eles têm causado agitação por séculos, e por uma boa razão. A música é uma poderosa mídia, que pode afetar-nos positivamente ou negativamente. Entretanto, a raíz da divisão é frequentemente (embora, nem sempre) pessoas que insistem que sabem qual o tipo de música que Deus gosta. Não ajuda muito o fato de que os “proponentes da nova música” são frequentemente arrogantes, insensíveis, egoístas e impacientes. Entretanto, podemos fazer um ídolo tão facilmente daquilo que é antigo e familiar quanto podemos fazer do que é novo e criativo. A música deve ser escolhida sabiamente por sua capacidade de servir tanto às letras quanto à congregação, a fim de verdadeiramente honrarmos a Deus. Mas, pensar que precisamos de certo tipo de música para nos envolvermos verdadeiramente com Deus é, em sua raiz, uma idolatria.

Tradição

Toda igreja, mesmo aquelas que se dizem não-tradicionais, têm tradições. Uma tradição é simplesmente alguma coisa que você fez mais de uma vez. As tradições podem servir aos propósitos de Deus na igreja? Certamente! Paulo encoraja os tessalonicenses: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2 Ts 2.15). Mas nossas tradições hoje são iguais à Escritura, em autoridade? Certamente não! Toda geração é responsável por examinar se as tradições herdadas (ou que tentam se estabelecer) são bíblicas ou não, e se verdadeiramente ajudam as pessoas a exultarem na majestade e obras de Deus. Os ídolos complementares da familiaridade e conforto frequentemente são revelados nas palavras: “nunca fizemos desse jeito antes”.

Criatividade

No caso dessa lista parecer que aborda só um lado, a NOVIDADE também pode ser um ídolo. Estamos convencidos de que alguma coisa nova, diferente, nunca vista antes, fará nosso culto congregacional mais efetivo. Ou poderoso. Ou atraente. Talvez seja a iluminação… ou uma nova disposição de palco… ou um videoclipe… ou velas… ou banners… ou “atividade artística interativa”. Criatividade nunca é nosso alvo na adoração a Deus. É simplesmente um meio para o fim de manifestar e ver a glória de Cristo mais claramente. Novas mídias ou formas de comunicação podem nos dar uma perspectiva diferente, levando a verdade a ter um impacto maior sobre nós. Mas, se sairmos de um culto público mais impressionados com nossa criatividade que com nosso Salvador, ou pensando que a Palavra de Cristo é notícia velha, Deus nos ajude.

Estou ciente de que o que escrevo pode ofender a alguns. Eu oro para que não seja o caso, embora o que percebamos como uma “ofensa” pode ser a convicção do Espírito. Pode muito bem apenas ser minha má comunicação. Porém, disso tenho certeza: Deus está comprometido em receber toda a glória, honra e louvor, todas as vezes em que nos reunimos como Seu povo, redimidos por meio do sacrifício expiatório de Seu Filho. Ele não terá rivais. “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is 42.8). Cada vez que nos reunimos para adorar ao Deus triuno, ELE deve ser o centro total de nossa atenção e nossas afeições. Sua grandeza e esplendor devem se tornar cada vez maiores em nossas mentes, corações e vontades. Seus desejos e mandamentos devem se tornar mais preciosos para nós. Jesus Cristo e Sua obra expiatória devem ser mais gloriosos e maravilhosos para nós.

A seguir, compartilharei mais ídolos que encontrei ao adorar nos cultos de domingo. Nesse meio tempo, oro para que você seja encorajado pelo amor precioso do Pai por nós.

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo

CategoriasLouvor&Adoração

Jesus, Buda e a Felicidade

Jon BloomJon Bloom

Muito perturbado pelo sofrimento que viu pelo mundo, o príncipe de 29 anos Siddhartha Gautama (563 – 483 a.C.), mais tarde conhecido como Buda (“o iluminado”), deixou sua esposa e seus filhos para e partiu em uma busca pelo sentido da vida.

O que ele enxergou foi que o mundo é passageiro – nada era permanente. Apesar disso, as pessoas desejavam essas coisas passageiras. Elas desejam a vida, saúde, posses e uns aos outros. Mas a vida, a saúde, as posses e as pessoas passam. Os desejos humanos sempre iriam levar ao desapontamento. Isso, pensou, era a causa do sofrimento humano.

Logo, ele concluiu que se pudesse matar o desejo, então poderia se manter ileso da influência do bem ou do mal, seu sofrimento acabaria e ele seria feliz. Ele estaria livre da dor e do ciclo sem fim da reincarnação. Isso era o Nirvana.

É irônico, então, que o motivo por trás da rigorosa busca de Buda para matar seus desejos estava um grande desejo humano: felicidade duradoura.

Sempre houve um grande e vazio buraco na busca de Buda pela felicidade duradoura: não há Deus. Buda não falou muito sobre a existência de Deus porque para ele, sinceramente, Deus era irrelevante na questão da felicidade do homem. Pelo contrário, a felicidade estava em se livrar do sofrimento causado pelos desejos e da reincarnação. A felicidade era o suave encerramento da existência individual – uma espécie de doce aniquilação.

Quão diferente das respostas de Buda são as respostas de Jesus. Quando um jovem rico e perturbado, não muito diferente do rico e perturbado jovem Gautama, procurou direcionamento de Jesus para alcançar a felicidade eternal, Jesus repondeu:

“‘Falta-lhe uma coisa’, disse ele. ‘Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.’” (Marcos 10.21)

Note que Jesus de fato instruiu o homem a se desapegar de suas posses. Mas ele não falava de um desapego Budista. Ele falou de outra forma aqui:

“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.” (Mateus 13.44)

A mensagem é muito clara: deseje o tesouro! Deseje-o o suficiente para contar tudo o mais como perda para poder conquistá-lo (Filipenses 3.8).

A diferença é que Buda quer ter menos desejo e ser completamente absorvido pelo cosmo impessoal. Jesus quer que desejemos profundamente e sejamos completamente arrebatados pela Pessoa em quem nós vivemos, movemos e existimos (Atos 17.28).

É por isso que, na batalha contra os desejos pecaminosos, Jesus ensina muito mais que Buda. Ele sabe que nosso desejo por felicidade foi criado por Deus, assim como nosso desejo de viver. Eles não são ruins. Eis o que é ruim:

“‘Espantem-se diante disso, ó céus! Fiquem horrorizados e abismado’, diz o Senhor. ‘O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água.’” (Jeremias 2.12,13)

Fomos criados para sermos satisfeitos pelo único e eterno Deus. O mal é quando acreditamos que Deus não nos satisfaz e assim devemos buscar a felicidade em outra coisa. Isso é a essência do pecado. E o caminho para combater o pecado não é matar o desejo, mas abandonar nossos desejos fúteis por cisternas rachadas. Não há água nelas. Busque a Fonte!

Jesus e Buda concordam que buscar a felicidade nas coisas passageiras é inútil. Mas eles nos levam a soluções opostas. Buda diz que a satisfação está em não desejar mais nada. Jesus diz que é desejar Deus. Em Deus nós conseguimos todas as coisas. Em nada, nós conseguimos… nada.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo

CategoriasEvangelho
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.